Alucine para criar
O jornalismo é uma arte que utiliza os estímulos sensoriais (audição e visão) para transmitir informações, seja com personagens reais ou “inventados”, histórias e fatos verídicos ou fictícios, tudo bem que alguns artistas jornalísticos misturam realidade com fantasia e vice e versa. Mas o que seria da criação (invenção), se não fosse a alucinação? Isso mesmo, porque para se “inspirar”, ter a ideia da melhor forma de encaixar as palavras, parágrafos e pontuação, o jornalista precisa “soltar” sua imaginação e brincar de faz-de-conta, e escrever, produzir...
Como afirma Mark Crispin Miller, diretor do Programa de Estudos de Mídia da Universidade John Hopkins, de Belmonte, Estados Unidos, em uma entrevista sobre cinema e o “formato” dos filmes. “Os filmes estão, cada vez mais parecidos com anúncios. Eles se esforçam para fazer o espectador se sentir bem. É como se os produtores tivessem achado uma fórmula de final feliz que é colada no final de todos os filmes”, destaca.
A respeito dos filmes de sucesso o diretor explica que a visão do público na faixa etária entre 14 e 25 anos, são as pessoas que frequentam o cinema, Miller descreve que essa plateia é dependente de filmes instantaneamente gratificantes. “É uma plateia acostumada ao ritmo e ao estilo da televisão, que cresceu assistindo a videoclipes de rock, que se chateia com facilidade e se impacienta muito rapidamente”, lembra Miller.
De acordo com Mark, a criação da fórmula de sucesso com duplas contrastantes segue a lógica de que um personagem, por exemplo, o “sério” segue as regras, e o “engraçado” quebra-as, desta forma, tem-se dois opostos esquematizados, um amarrado ao outro. “Esse contraste torna desnecessária a narrativa de verdade. Assim, o público experimenta a emoção da dissidência e, ao mesmo tempo, tem o conforto protetor da burocracia”, finaliza Miller.
Contudo, quando for criar suas produções de “artes jornalísticas” alucine o quanto for necessário, solte seus “desejos” ocultos, seja original, crie a “sua” fórmula de sucesso e com certeza vai chamar a atenção dos críticos, que alucinam muito mais ainda ao “analisarem” as obras emitindo pareceres baseados na personalidade, em motivações interiores, ideologismo, literatice e “fofoca esclarecida”. Então, você pode optar por ser “tachado” de artista alucinado ao invés de mero “parasita frustrado”, que muitas vezes critica as produções dos outros, mas não sabe fazer melhor...
(Texto Lilian Aparecida Ribeiro baseado na entrevista de Markin Crispin Miller, Revista Veja/2003)
Publicado no Jornal Informe/Fraiburgo, edição 386, 31 de agosto a 3 de setembro de 2013.
Nenhum comentário:
Postar um comentário