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domingo, 21 de abril de 2013

Promotores mobilizados contra a PEC 37


Promotores de Fraiburgo explicam sobre as consequências da proposta. Foto Lilian









Associação Catarinense do Ministério Público (Acmp) elaborou material informativo para explicar as consequências da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 37. No entendimento dos representantes do Ministério Público, somente as Polícias Federal e Civil, poderão realizar as investigações. Assim, elas seriam reduzidas e a impunidade aumentaria.
Na última semana o Ministério Público promoveu em todo o país uma mobilização a fim de esclarecer as consequências da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37. Se for aprovada a proposta que tramita no Congresso Nacional vai mudar o artigo 144 da Constituição Federal e a apuração de crimes ficará restrita a Polícia Civil e Federal, retirando o poder de investigação criminal do Ministério Público.  
            Os promotores de Fraiburgo Luis Otávio Tonial da 1ª Promotoria de Justiça e Felipe Schimidt da 2ª Promotoria de Justiça explicam que a PEC 37 importa na redução do número de órgãos aptos a desenvolver atividades fiscalizatórias. Ela retira a atribuição de investigar não só do Ministério Público, mas também da Polícia Militar Ambiental, Ibama, Receita Federal, Previdência Social, Fisco, entre outros, limitando-a apenas à Polícia Civil e Federal. “É claro que a polícia também deve investigar, mas não deve fazer isso sozinha, de modo exclusivo”, afirmou Luis Otávio.
            O promotor Felipe argumenta que proposta visa mudar a constituição, e isso reduz a investigação criminal o que seria um imenso retrocesso para o país. “Isso é adotado em países como Uganda, Quênia e Indonésia, e vai gerar impunidade. A polícia tem pouca estrutura e pessoal para investigar. Não tem autonomia institucional necessária porque está vinculada ao Poder Executivo. Precisamos orientar a população para que fique alerta, porque a PEC vai trazer prejuízos e contraria parte do que está previsto na constituição”, declarou.  
            É comum vermos nos noticiários da televisão casos de delegados que são executado. Nas cidades do interior com frequência esses profissionais são removidos de comarca. O promotor Luis Otávio Tonial explica que diferente dos agentes judiciários, os investigadores sofrem pressão. “Isso acontece com delegados que começam a fazer investigações importantes e são removidos. O Ministério Público não quer tirar as atribuições da polícia, mas, poder continuar colaborando nas investigações”, complementou.  
            A proposta também enfraquece o combate a criminalidade, notadamente aos crimes de colarinho branco, corrupção, tortura, violência policial, fraude a licitações e desvio de dinheiro público, gerando ainda mais impunidade. Assim, o modelo de investigação que se pretende adotar contraria decisões de Tribunais Superiores, que já reconheceram a atribuição investigatória criminal do Ministério Público, e disposições de tratados internacionais celebrados pelo Brasil, relativos ao combate a diversos crimes graves como tráfico de pessoas, drogas e de armas, crime organizado e lavagem de dinheiro.  


Brasil contra a impunidade: diga não à PEC 37!
A PEC 37, que concentra a investigação criminal apenas na Polícia Civil e Federal, quer implantar no Brasil uma proposta que foi rejeitada na França, Alemanha, Itália e Inglaterra, países onde o Ministério Público tem importantes atribuições investigatórias na área criminal.
Sua aprovação também gerará insegurança e retardará as investigações criminais, acabando por colocar em liberdade os autores de diversos crimes graves. É que a polícia não dispõe de meios materiais e operacionais e de pessoal suficiente para apurar adequadamente todas as notícias de crimes que vêm a tona.
No Brasil de hoje, a quem interessa que exista só um órgão com atribuição para investigar crimes? Com diversos órgãos investigando, de modo cooperado e integrado, a investigação criminal será mais eficiente e resolutiva, o que favorece os interesses de toda a sociedade afetos à promoção da segurança pública, à proteção do patrimônio público, entre outros.
Por essas razões, a sociedade deve estar ciente dos severos prejuízos que suportará em caso de aprovação da referida proposta, e a partir daí se posicionar contra a PEC 37, a chamada ‘PEC da impunidade’. 
Fonte:  1ª e 2ª Promotorias de Justiça de Fraiburgo 

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